Quatro Sugestões sobre Como o Met Poderia Virar uma Usina de Arte Contemporânea

Quatro Sugestões sobre Como o Met Poderia Virar uma Usina de Arte Contemporânea
The Metropolitan Museum of Art, Nova York
(Cortesia Flickr)

 

O Metropolitan Museum of Art, ao escolher a curadora-chefe da Tate Modern Sheena Wagstaft para dividir e reforçar seu departamento de arte moderna e contemporânea há muito estagnado, fez uma escolha inspiradora. Ela substitui Gary Tinterow, removido para o Museum of Fine Arts de Houston em dezembro após anos de manutenção da coleção contemporânea como um adjunto sonolento para sua área de interesse, pinturas do século XIX. A divisão do século XIX será agora administrada separadamente, pelo curador Keith Christiansen.

 

Wagstaff tem ambas as credenciais e a oportunidade de desbravar toda uma nova era – a era contemporânea – na instituição mais reverenciada da nação. Uma curadora de 55 anos de idade que começou na Tate em 1998 como uma funcionária de alto escalão envolvida em criar a Tate Britain, Wagstaff – a quarta britânica a ser recrutada pelo diretor do Met Thomas Campbell – transferida à Tate Modern depois de sua criação em 2000. Lá, ela foi pioneira nas encomendas do mundialmente conhecido Turbine Hall e organizou mostras de artistas de Jeff Wall a Roy Lichtenstein, cuja retrospectiva iminente ela também foi curadora. Na matéria do New York Times anunciando sua indicação, a curadora ficou muda sobre seus planos, além de dizer que ela queria colocar o museu “na vanguarda do reinvento de um novo entendimento do que a arte significa, com um diálogo com o passado e o presente, a conversa mais vital que nós podemos ter hoje.”

Felizmente, ela irá ter um laboratório conveniente para essa reinvenção: em 2015, o Met irá ocupar o prédio do Whitney desenhado por Marcel Breuer na East 75th Street, uma mudança “muito excitante” que Campbell diz que irá providenciar “espaço para mostrar arte moderna e contemporânea no contexto das nossas coleções enciclopédicas.” Mais que isso, o Met está considerando uma vistoria da atual casa da suas coleções modernas e contemporâneas, a estranhamente desenhada Ala Lila Acheson Wallace, que abriu em 1987 e está de alguma forma evocativa de uma era ainda mais velha. (pense “Annie Hall”).

Como uma forma de recebê-la à bordo, aqui vão algumas sugestões de como ela pode fazer a divisão contemporânea do Met chegar à estatura do seu programa histórico – ao alegar uma identidade augusta única e apropriada para distinguí-la de seus amigos superiores do MoMA, Whitney, e outras arrojadas instituições de Nova Iorque sem fazer o papel constrangedor de correr atrás.

1. USE SUAS FORÇAS

Algumas instituições, como o New Museum, tem seus melhores momentos quando eles introduzem novos talentos para o mundo. O Met está em seus melhores termos de arte contemporânea quando entalha artistas vivos no totem da história da arte, contextualizando-os de uma forma considerada e erudita – como na mostra canônica do Met de 2009 “Pictures Generation”, a mostra “Drawings” de Richard Serra (que teve a ajuda poderosa e invisível pela proximidade da coleção egípcia do museu no andar de baixo), e a retrospectiva de Betty Woodman em 2006. Mostras como “Reconfiguring an African Icon” do último ano, mostrando máscaras africanas antigas junto de esculturas contemporâneas para prestar homenagem à tradição, tem usado recentemente esta força institucional de forma intrigante e extraordinária – e sensível às complicadas questões do “Primitivismo” e o legado do colonialismo, também. O prédio de Breuer, com suas brutais paredes neutras e grandes espaços, poderia ser um espaço ideal para continuar experimentando colidindo lacunas temporais entre arte velha e arte nova, direcionando os espectadores para uma visão da arte menos hierática que é correspondente à nossa era onde a internet eliminou os obstáculos de comparação.

A Gwangju Biennale de 2010 de Massimiliano Gioni fez um grande sucesso ao trazer esta abordagem de misturar e comparar diferentes períodos históricos para suportar o formato de exposições de grande escala, e a planejada feira de arte Frieze Masters promete avançar este conceito para a esfera comercial. O Met poderia fazer isto melhor que qualquer outra pessoa.

2. SEJA GLOBAL

Pegue a abordagem transtemporal acima e aplique pela cultura – funcionou para Picasso, quando ele posicionou estátuas ibéricas antigas (roubadas do Louvre) junto com impressões japonesas e trabalhos contemporâneos em seu estúdio no Bateau-Lavoir, e funcionaria para o resto de nós também. Wagstaff, que é um membro fundador do periódico sobre a cultura do Oriente Médio Bidoun, e que “concebeu um modelo inovador de exposições de pequena escala baseado no intercâmbio bilateral de pesquisas” enquanto na Tate Modern isto veio junto com organizações de Kabul até a Cidade do México, parece ter algo do tipo em mente. “O contexto global é de importância cada vez maior para todos nós já que vivemos em um mundo cada vez mais complexo, e a arte contemporânea é uma grande possibilidade para dar sentido a este mundo,” disse ela ao Times.

3. PENSE GRANDE

Para a Ala Lila Acheson Wallace, por que não usar sua restruturação para retificar uma falta dolorosa na paisagem artística da cidade de Nova Iorque: além do átrio do MoMA, não há nenhum espaço para instalações de grande escala aqui que chegue perto de Turbine Hall, um tesouro comunitário em Londres que une tanto seus cidadãos (lembram-se do sol de Olafur Eliasson?) como gera bastante atenção da imprensa para qualquer artista que esteja expondo lá. No Met, que melhor maneira de sinalizar a seriedade desse comprometimento com a arte contemporânea que não criar um espaço vazio de vidro, um gêmeo para aquele que abriga o Templo de Dendur, que poderia ser oferecido aos artistas vivos mais ambiciosos? E quem sabe...se um patrocinador fosse encontrado para financiar o projeto, como a Unilever faz em Londres, poderia gerar ainda mais dinheiro para o museu do que todas aquelas festas do Templo de Dendur. (Contanto que o Whitney não o faça antes no seu novo quartel general no centro da cidade desenhado por Renzo Piano.)

4. NÃO SEJA TÍMIDO

Quando Henry Geldzahler foi o primeiro curador do Met para arte do século XX, ele deu festas de abertura adornadas com nuvens de fumaça de maconha que desenharam a cena do centro da cidade e mostrava arte – o famoso gigante de James Rosenquist “F-111” - que escandalizaram as classes patrícias ao atrair atenção crucial àquilo que fora então chamado de “arte avançada.” Talvez as festas pudessem ser menos espalhafatosas, mas o Met não deveria ter medo de deixar sua bandeira freak tremular. Ao invés de mostrar o tubarão de Damien Hirst mais de uma década depois de ele ter perdido sua mordida, ou colocar os filhotes de Jeff Koons no telhado, o museu poderia usar sua reputação histórica como um pedestal para mostrar novos trabalhos que chacoalham os preconceitos sobre o cânone, e suscitar novas questões. Afinal de contas, não há nada tão chocante que alguns minutos de silêncio na Quadra do Jardim Chinês não seja capaz de curar. 

[content:advertisement-center]