Fundação Calder Acusa Fabricante Francês Aposentado de Forjar os Móbiles do Artista

Fundação Calder Acusa Fabricante Francês Aposentado de Forjar os Móbiles do Artista

 

Lembram-se do eletricista de Picasso no sul da França, que alegou que o artista deu a ele 271 obras? Ele foi indiciado no último verão depois de os beneméritos de Picasso o terem acusado de ter roubado os itens. Agora um caso semelhante está sendo noticiado na região próxima a Tours, onde um homem aposentado diz que Alexander Calder deu a ele nove pequenos móbiles quando ele morou e trabalhou por lá nos anos 70. A Fundação Calder o acusou não de ter roubado os trabalhos, mas de ter falsificado. Os móbiles – que, se autênticos, poderiam valer 2 milhões de euros – foram apreendidos pelas autoridades francesas e a fundação entrou com um processo contra este homem por falsificação.

 
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De acordo com La Nouvelle République, que deu o furo, o homem, cujo nome não foi revelado, alega ter ajudado Calder com os aspectos técnicos de algumas de suas esculturas entre 1969 e 1975, quando o artista viveu na cidade de Saché. Naquela época, além de fazer pequenos móbiles, Calder produziu alguns de seus monumentais trabalhos em aço na fábrica Biémont em Tours (incluindo “Bent Propeller,” encomendado pelo World Trade Center e destruído nos ataques de 11 de setembro). Calder, que morreu em 1976 aos 78 anos de idade, era muito amigável com o povo da cidade, de acordo com La Nouvelle République, e frequentemente dava guaches ou pequenos móbiles a certos moradores que lhe faziam favores.”

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O homem manteve nove pequenos móbiles cuidadosamente embrulhados em jornais datando do começo dos anos 70. Quando ele os levou a Paris em 2008 para serem autenticados pela casa de leilões Tajan, a Fundação Calder apreendeu os trabalhos e o acusou de falsificar as esculturas, alegando que o homem não podia provar sua origem e notando que eles não estavam assinados. Ele foi acusado de falsificação em 2010 e ainda está esperando seu dia na corte. “Há um problema em relação à identificação dos trabalhos de Calder,” disse seu advogado, Marc Morin, ao La Novelle République. “ Neste caso, o querelante é ao mesmo tempo uma parte envolvida e um juiz no processo, então não há verdadeiramente nenhum perito independente que seja capaz de autenticar os trabalhos de Calder.” A fundação – que hoje coordena um respeitado programa de residência no ateliê Saché – é comandada pelo neto do artista, Alexander S.C. Rower, e sua filha, três outros netos e um bisneto estão entre os fiduciários.

 

[Uma versão prévia deste artigo atestou erroneamente, baseado nas reportagens do La Nouvelle République, que a Fundação Calder havia se equivocado ao identificar uma escultura de Calder como falsificação em 1999 e a destruiu. A polícia francesa destruiu a escultura em questão, que não teve sua autenticidade provada como um trabalho de Calder. ARTINFO se arrepende deste erro.]